Blog

Cidadania, exercer ou não? A escolha é sua

09/09/2009 em textos por Vane Gomes

Sob a ótica jurídica, poderíamos dizer que ser cidadão é ser um sujeito de direitos e deveres, expressos na forma de leis. Mas devemos olhar a cidadania numa dimensão mais ampla, porque a cidadania é uma dimensão antropológica.

(…)

Hoje temos que ver a cidadania de uma maneira mais abrangente. “ Para ser cidadão não basta ter certidão de nascimento, não basta votar, pagar tributos, obedecer a leis. Cidadania é compromisso histórico. É participação nas decisões e ações da sociedade. Cidadania é participação pluridimensional. É, ao mesmo tempo, participação política, econômica, social, psíquica e ética”. “Cidadania é participação consciente. O cidadão precisa ter consciência da realidade em que vive, trabalha, sofre e se inter-relaciona. A inconsciência favorece a manipulação e conduz ao adesismo que reforça o sistema desumano que empulha o país e crucifica o povo.” (ARDUINI, Juvenal. p. 5)

Uma das dimensões importantes da cidadania é a liberdade. Como a liberdade, a cidadania também não é dada de uma vez para sempre. A liberdade e a cidadania são frutos de conquista. Quem não as conquista é escravo. O escravo não está isento da sociedade, ele participa, pela produção e pelo trabalho, mas não tem liberdade ou o “direito” de uma participação efetiva na sociedade, de ser cidadão no verdadeiro sentido da palavra.

Com isso quero dizer que, para entendermos alguém como cidadão, é preciso entender que a cidadania exige participação social. O cidadão não faz seu ser sozinho, mas o faz com as demais pessoas. E se fôssemos mais exigentes com o termo cidadania, diríamos que o verdadeiro cidadão é aquele que, além de ter sua prática, deve fazê-lo com o intuito de garanti-la, por meio de direitos e deveres de modo efetivo; isto é, não é possível garantir, assegurar a cidadania apenas para alguns. A cidadania deve estar firmada nas leis e exigida e executada pelas pessoas e os governos. No entanto, ser cidadão é ter uma condição muito maior do que a lei pode garantir.

É preciso garantia para todos, se não teremos sempre uma sociedade facetada, onde alguns julgam-se com o direito de ter e fazer o que bem entendem, enquanto outros só teriam obrigações, estariam excluídos da cidadania. (…)

 (…)

Uma real cidadania deveria questionar toda a realidade sociocultural injusta. Em nosso caso, aqui no Brasil, deveria questionar a concentração de renda, o jeitinho, a falta de ética na política, etc. Todas essas formas, como tantas outras, mascaram a realidade e a nossa participação, fazendo-nos crer que o que fazem é o correto e não uma postura ética.

Ser cidadão é entender as causas das ações em seu verdadeiro sentido, isto é, não atribuindo o que ocorre a Deus, a uma causa superior. Há causas que podem advir de Deus, mas há causas que são provocadas por ações humanas e, uma vez encontradas, devem ser corrigidas, buscando a melhor forma para solucioná-las. Para isso, é preciso criatividade, radicalidade, criticidade, informação, elementos importantes para se ter uma postura o mais coerente possível.

(…)

Uma sociedade como a brasileira, que passou muito tempo sob regimes autoritários, tem dificuldades naturais de se decifrar, para sair do pacifismo imposto pelo regime e entender que sua organização e seu destino estão em parte em suas mãos. Em parte, porque os grandes dominadores sociais, hoje, são a economia e os meios de comunicação, e estes têm formas e modos às vezes explícitos, mas em muitas situações camufladas, não explícitas.

A realidade mundial , com a globalização, e neoliberalismo, a sacralização do mercado, e evolução tecnológica, promoveu a rápida ascensão social de alguns e a exclusão social de outros em três fatores básicos:

  • Desigualdade social entre os que têm ou não emprego.
  • Dissolução dos vínculos sociais: família, mobilidade social e transformações demográficas.
  • Fragilidade: frustração de expectativas, desmotivação, impotência diante da realidade.

Esses fatores dificultam a elaboração de um projeto de vida. Produzem pessoas cansadas, amantes do presente – do instante, alérgicas a esforço pessoal, confusas, inseguras, desmotivadas, hedonistas, etc.

Se as pessoas não encontrarem o sentido de sua vida e de seu ser social, encontrarão a despersonalização e se contentarão com o consumo de sensações diversas, frívolas ou adaptadas ao sistema.

O sentido da cidadania deve ser encontrado na família, no trabalho, nos amigos, na educação, ou sem eles. O que não pode haver é uma vida sem sentido, sem razão de ser da agregação social, de ser cidadão.

Uma postura cidadã faz-se na atitude socrática do buscador, marcado pela inquietude e pelo assombro, que se traduzem em perguntas, especialmente as sobre a existência e o destino. O que estou fazendo e vou fazer com a vida? A descoberta dá-se numa relação dialógica, onde o descobrimento deve ser compartilhado, aprendido junto, no fazendo a nós mesmos. O fazer-se dá-se num processo de constante perguntar-se e na constante busca de respostas e soluções.

MEISTER, José Antônio Fracalossi. Voluntariado – uma ação com sentido. EDIPUCRS. Porto Alegre, 2003.

Cartaz para o 7 de Setembro de 2009

26/08/2009 em Protestos por Relsi

Mais um material para divulgação das manifestações do dia 7/09/2009. O original em alta resolução pode ser baixado aqui: http://tinyurl.com/lacs4w

#forasarney

#forasarney

Proteste

24/08/2009 em Protestos por moah sousa

Movimento #forasarney volta às ruas

Caminhada de protesto no Parque da Redenção, em Porto Alegre. Foto de Vanessa Gomes

Caminhada de protesto no Parque da Redenção, em Porto Alegre. Foto de Vanessa Gomes

Como na semana passada, o último sábado ficou marcado pelas manifestações do movimento popular #forasarney, que, além reivindicar o fim do reinado do presidente do Senado, luta contra a corrupção e pelo fim da impunidade no Brasil. Os protestos ocorreram de forma simultânea e em várias capitais e cidades do país. Em Porto Alegre, dezenas de manifestantes usando narizes vermelhos de palhaço e portando faixas, cartazes e apitos realizaram uma caminhada pelo Parque da Redenção. Eles também constituíram uma comissão para organizar a participação do movimento nas manifestações do dia 7 de Setembro. Em Florianópolis, um animado grupo protestou em uma das avenidas mais movimentadas da cidade. Durante a ação, foram distribuídos panfletos à população. Já em São Paulo, o ponto de encontro foi novamente o Masp, com dezenas de pessoas com faixas e caras pintadas deram um colorindo de luta na Avenida Paulista. No Rio, o protesto foi em frente à casa do Presidente do Conselho de Ética, Paulo Duque (PMDB-RJ), e, em Brasília, além de cartazes, os manifestantes carregavam pizzas e se colocaram também em frente à mansão do senador José Sarney, no Lago Sul.
Mais sobre as manifestações do último sábado