Bandidos sarnosos
“Honoráveis Bandidos, Um Retrato do Brasil na Era Sarney”, livro do jornalista Palmério Dória (Geração Editorial), está fazendo muito sucesso. É um dos mais vendidos no Brasil atualmente. E é muito bom. Mais do que isso, é excelente. Prova de que nem só porcaria, no estilo vampiros babacas e Paulo Coelho, vende. Ainda existem muitos leitores interessados em textos inteligentes e em críticas frontais e bem documentadas. Dória mostra o que todo mundo sabe: Sarney é um safado, um coronel retrógrado, um aproveitador de marca maior e o eterno mamador nas generosas tetas estatais. Mas mostra tudo isso com bons argumentos e muitos dados. Beleza!
Uma palhinha do livro de Dória: “Fernando, quando o pai se torna presidente, consolida o domínio do clã sobre o setor elétrico do país. Não escapa nada. Além de nomear toda a diretoria da Cemar, Centrais Elétricas do Maranhão, que ele preside, monta um conjunto de empresas de construção. Fabrica até o poste usado nas linhas de transmissão. Domina toda a cadeia”. A família Sarney constitui, segundo Dória, uma rede mafiosa capaz de sugar tudo o que encontra à sua volta. Cobra taxa de proteção, distribui cargos, trafica influência, cria problemas falsos para vender soluções ainda mais falsas, parasita aliados, vampiriza órgãos públicos, bebe o sangue da população em taças de cristal, participa de fraudes eleitorais, pratica lobby como quem joga biriba e, em qualquer situação, escapa da lei e da justiça numa boa.
Outra canja: “O coronel Jarbas Passarinho prestou grandes desserviços à Nação, seja como ministro da Educação da ditadura militar quando reprimiu e perseguiu estudantes e professores, seja como incentivador do Ato Institucional 5, o AI-5, diante de cuja truculência mandou ”às favas os escrúpulos” e apoiou com entusiasmo. No finalzinho da ditadura, serviu aos apaniguados com o ato que beneficiou a filha dileta de seu amigo José Sarney, antecipando o legítimo Trem da Alegria de 1984, do senador do PDS capixaba Moacyr Dalla, que embarcou 780 felizardos na gráfica do Senado e outros 600 nos gabinetes da Casa, entre eles a mesma Roseana, que nem morava em Brasília, mas no Rio de Janeiro”. Espírito republicano!
Em mais de 50 anos de vida pública, José Sarney só praticou o interesse privado. Foi pilar da ditadura, cresceu na nauseabunda Arena, desaguou no PDS e, por fim, encontrou abrigo no chiqueirão do PMDB. Como se sabe, peemedebista não tem nariz. A conclusão de Palmério Dória é desesperadora: “O relatório não deixa dúvidas: qualquer rolha de concreto, qualquer barragem nas hidrelétricas brasileiras pagava pedágio a Fernando Sarney. Quando José Sarney fazia um discurso no Senado, dizendo que Belo Monte, no rio Xingu, na terra dos caiapós, vai ser a redenção da Amazônia, pode ficar certo de que, muito antes que as comportas se fechem, a alegre turma de Fernando já entrou em campo, faturando”. Sarney é o apagão. Quem gosta de histórias de vampiros, leia “Bandidos Honoráveis”, de Palmério Dória, que narra detalhadamente o crepúsculo da vida política brasileira.
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JUREMIR MACHADO DA SILVA > correio@correiodopovo.com.br


Fora Sarney — Blog — Propostas para o movimento #forasarney disse:
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15/11/2009 às 14:02